sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Minha primeira ultra

   Depois que fui me acostumando com a insulina, tudo foi correndo bem, achava que estava fazendo o melhor para o meu bebe, estava controlando minha alimentação, tomando as vitaminas que minha GO passou, fazendo tudo direitinho, porque queria o melhor para o meu filho. Minha médica falou para a marcar a primeira ultra com 7 para 8 semanas a partir do último dia da minha menstruação, foi o que fiz... contei direitinho e no dia 20/12/2011 estaria com 7 semanas e uns dias, estava super ansiosa para fazer a ultra, saber se estava tudo bem, queria ver o meu bebe.
   No dia 20/12 fui fazer a ultra, marquei na clinica que meu noivo escolheu, onde foram feitas as ultras da primeira filha dele. Ele me disse que era bem legal, que os médicos eram atenciosos e tal, então marquei. Cheguei lá na hora marcada acho que era 10 horas da manha, primeiro demorou um pouco, mas até aí tudo bem, sempre acaba atrasando. Quando entrei na sala, meu noivo foi comigo, me preparei para o exame e fiquei esperando o médico. Quando ele chegou, me cumprimentou, perguntou o motivo da ultra, perguntou de quantas semanas eu estava, expliquei para ele tudo direitinho. No momento que ele começou a fazer o exame, percebi que tinha alguma coisa errada, ele mostrou o ovario, o corpo luteo, o saco gestacional, e me perguntou novamente quanto tempo tinha minha gestação, eu disse "7 semanas". Aí ele falou que achava estranho porque não estava vendo embrião, que com esse tempo já era para escutar os batimentos, e não sei o que mais, que meu utero estava muito espesso, com conteúdo heterogenio, que achava que podia ser uma gravidez anembrionária.
   Eu entrei em desespero, me segurei para não chorar, esperei ele sair pqra poder começar a desabar. Ele pediu para esperar um pouco que ele ia me dar o laudo, para poder levar urgente para minha médica e se eu tivesse algum sangramento fosse para o pronto socorro. Eu saí dali sem chão, sem vida, sem nada, simplesmente tudo que sempre imaginei tinha sumido, tinha sido apenas um vislumbre, meu noivo tentava me acalmar, mas não funcionava. Quando consegui para de chorar liguei para minha GO e ela me explicou que poderia ter sido uma ovulação tardia, por isso ainda não dava para ver, mas para caso contrario eu não me preocupar que ela ira me ajudar. Bom, não que tenha melhorado, mas aliviou um pouco a dor, me deu força para esperar mais 10 dias e repetir a ultra e torcer para estar tudo bem.
   Esperei meu pai chegar em casa para falar com ele, ele também é GO, então achei que ele podia me ajudar. Não foi a melhor idéia do mundo, mas precisa saber... Ele me disse que aquilo no utero podia ser normal e que poderia ser uma ovulação tardia, mas sei lá parecia esconder alguma coisa. Passou um tempo eu estava no meu quarto e ele no dele quando o celular dele tocou, era minha médica, que é amiga dele, falando sobre o exame, aí que me desesperei... ouvindo ele falar para não fazer nada, esperar agir naturalmente, que o meu corpo iria eliminar aquilo e pronto.
   Eu não estava acreditando, não podia estar acontecendo de novo, não podia acreditar que ele levasse aquilo tão na esportiva quanto estava levando. Eu chorei muito, estava inconsolável, fui conversar com ele e com minha mãe de novo, eles falaram para esperar, que talvez não fosse para ser, que talvez fosse melhor porque não tinha programado e como sou diabética fosse melhor controlar tudo primeiro antes de engravidar, mas a única coisa que pensava é que meu filho não ia nascer, que mais uma vez eu era incapaz de gerar uma criança e ainda mais percebi que mesmo eles me ajudando, não achavam legal ou não gostaram de eu ter engravidado, me vi sozinha sem o apoio das pessoas mais importantes para mim, comecei a achar que eles estava torcendo contra, torcendo pelo pior.
   Antes de mais nada, quero deixar aqui minha indignação com esses médicos que esquecem que quem está ali na sua frente não é um bicho e sim um ser humano, com sentimentos aflorados e preocupados. Que em nenhum momento este médico que fez minha ultra na Clínica Boisson na Barra da Tijuca teve o mínimo de consideração pelo que podia estar acontecendo comigo ali. Não que ele tivesse que me dar falsas esperanças, mas devia ter pensado e se fosse a mulher dele ali grávida de seu filho, se fosse sua filha grávida de seu neto. Tenha certeza que ele teria falada de uma maneira diferente, como minha médica falou, teria falado que poderia ter me enganado com o tempo de gestação, ou sei lá simplesmente ter sido mais delicado com a situação que ele estava apresentando. Em nenhum momento ele estimou meu tempo de gestação com o que estava presente.
   Se posso dar um falar uma coisa é que nunca mais volto naquele lugar, e com certeza não indicarei para ninguém e ainda faço propagando contra. Os médicos tem que perceber que quem está ali na sua frente é um ser humano e merece consideração, pois um dia ele vai trocar de lado da mesa, vai ver como alguns "doutores", como gostam de ser chamados, sendo que somente é Doutor aquele que tem titulação de doutorado, a grande maioria não passa de bacharel em medicina.




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